A Bíblia e
os anjos, anjo do Senhor, anjos bons, anjos santos,
anjos eleitos, anjos caídos, anjos maus, batalha
espiritual, Belzebu, Belial, demônios, demonismo,
Diabo, espíritos, espiritismo, exorcismo, exorcistas,
expulsão de demônios,expulsar demônios, Gabriel,
guerra espiritual, Lúcifer, Miguel, possessão,
potestades, querubins, serafins, Satanás, satanismo
ANGELOLOGIA
A DOUTRINA DOS ANJOS
01. INTRODUÇÃO
Os anjos
estão sujeitos ao governo divino, e o importante papel
que têm desempenhado na história do homem, torna-os
merecedores de referência especial e de um estudo
especial, pois, nas Escrituras, sua existência é
sempre considerada matéria pacífica. Desta forma,
estaremos nos ocupando em estudar a partir
do presente estudo sobre os anjos, ministros
de Deus (Hb 1:14).
02. DEFINIÇÃO DO TERMO
"ANJO"
A palavra portuguesa anjo possui
origem no latim angelus , que
por sua vez deriva-se do grego angelos .
No
idioma hebraico,
temos malak .
Seu significado básico é "mensageiro" (para
designar
a idéia de ofício de mensageiro). O grego
clássico emprega
o termo angelos para
o mensageiro, o embaixador em assuntos humanos,
que fala e age no lugar daquele que o enviou.
No AT,
onde o termo malak ocorre
108 vezes, os anjos
aparecem
como seres celestiais, membros da corte de
Yahweh, que
servem e louvam a Ele (Ne 9:6; Jó 1:6), são espíritos
ministradores (1Rs 19:5), transmitem
a vontade de Deus (Dn 8:16,17)),
obedecem a vontade de Deus (Sl 103:20), executam
os propósitos de Deus (Nm 22:22),
e celebram os louvores de Deus (Jó 38:7; Sl 148:2).
No NT, onde a palavra angelos aparece
por 175 vezes, os anjos aparecem
como representativos do mundo celestial e mensageiros de Deus.
Funções semelhantes às do AT são atribuídas a eles,
tais como: servem e louvam a Cristo (Fp 2:9-11; Hb 1:6),
são
espíritos ministradores (Lc 16:22; At 12:7-11; Hb 1:7,14),
transmitem a vontade de Cristo (Mt 2:13,20; At 8:26),
obedecem
a vontade dEle
(Mt 6:10), executam os Seus propósitos (Mt 13:39-42),
e celebram os louvores de Cristo (Lc 2:13,14). Ali,
os anjos estão vinculados
a eventos especiais, tais como: a concepção de Cristo
(Mt 1:20,21), Seu nascimento (Lc 2:10-12), Sua ressurreição
(Mt 28:5,7) e Sua ascensão e Segunda Vinda (At 1:11).
O termo
teológico apropriado para esse estudo que ora
iniciamos é Angelologia (do
grego angelos ,
"anjo" e logia ,
"estudo", "dissertação"). Angelologia, se constitui,
portanto, de doutrina
específica dentro do contexto daquilo que denominados de Teologia
Sistemática, a qual se ocupa em estudar a existência,
as características, natureza moral e atividades
dos anjos. Iniciaremos, portanto, pelo estudo da
existência dos anjos.
03. SUA EXISTÊNCIA
Ao iniciarmos
nosso estudo de Angelologia, faz-se necessário
que assentemos biblicamente a verdade da existência dos
anjos.
A existência
dos anjos, conforme veremos a partir de agora,
é
claramente demonstrada pelo ensino, tanto do Antigo,
quanto do Novo Testamentos.
a) Estabelecida pelo Ensino do Antigo Testamento
São inúmeros os textos
do AT que comprovam a realidade
da existência dos anjos. Queremos, no entanto, destacar
apenas os que se seguem:
Gn 32:1,2; Jz 6:11ss; 1Rs 19:5; Ne 9:6; Jó 1:6;
2:1;
Sl 68:17;
91:11; 104:4; Is 6:2,3; Dn 8:15-17; Nos textos
alistados anteriormente,
vemos os anjos em suas funções principais de servir
e louvar a Yahweh, transmitir as mensagens de Deus,
obedecer Sua vontade, executar a vontade de Deus,
e também
como guerreiros.
b) Estabelecida pelo Ensino do Novo Testamento
No contexto
do NT, os anjos não são apresentados simplesmente
como "mensageiros de Deus", mas também como "ministros
aos herdeiros da salvação" (Hb 1:14). Outrossim,
a existência dos anjos é apresentada de maneira
inequívoca no NT. Vejamos, por exemplo, os textos
a seguir: Mt
13:39; 13:41;
18:10; 26:53; Mc 8:38; Lc 22:43; Jo 1:51; Ef 1:21;
Cl 1:16; 2Ts 1:7; Hb 1:13,14; 12:22; 1Pe 3:22; 2Pe
2:11; Jd 9; Ap 12:7; 22:8,9.
04. O ARCANJO MIGUEL
Pretendemos a partir
de agora estudar a respeito de cinco
classes especiais de anjos, a começar por Miguel,
o Arcanjo.
No grego encontramos Michael ,
heb. mika'el .
O nome
Miguel significa
"quem é como El (Deus)?".
A tradição sobre
a existência de arcanjos não fazia
parte
original da fé judaica. Assim, na literatura
bíblica, Miguel
é introduzido em Dn 10:13,21 e 12:1 e reaparece
no NT em Jd 9
e Ap 12:7. Embora algumas literaturas tenham Gabriel
como outro Arcanjo (totalizando sete na literatura
apócrifa e pseudepígrafa, onde quatro nomes são
revelados: Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel),
a Bíblia só revela a existência de um único Arcanjo, Miguel.
Isto é demonstrado pelo fato de que nas duas ocorrências
da palavra grega archangelos ,
"arcanjo", 1Ts 4:16 e Jd 9, o termo só aparece no singular,
ligado unicamente ao nome de Miguel, donde
se
conclui biblicamente que só exista um anjo assim denominado
Arcanjo, ou anjo-chefe, e que esse Arcanjo chama-se
Miguel.
O Miguel que se pode encontrar
no NT, surge no AT apenas
no livro de Daniel. Como Gabriel, é um ser celestial .
Tem, no entanto, responsabilidade especiais como
campeão de Israel
contra o anjo rival dos persas (Dn 10:13,21),
e ele comanda os exércitos celestiais
contra todas as forças sobrenaturais do mal na última
grande batalha (Dn 12:1). Na literatura judaica
recente, bem como nos apócrifos e pseudepígrafos,
o nome de Miguel é apresentado como guardião
militar e intercessor de Israel.
No NT, Miguel aparece apenas
em duas ocasiões. Em Jd 9, há referência
a uma disputa entre Miguel e o diabo com respeito
ao corpo
de Moisés. Essa passagem é bastante polêmica. Orígenes
acreditava que
isto estaria registrado num apócrifo chamado de "Assunção
de Moisés", mas a história não aparece nos textos
existentes, porém incompletos, desta obra. A literatura
rabínica posterior parece
ter conhecimento desta história. O outro texto em que
Miguel aparece, é Ap 12:7, que retoma o tema
de Dn 12:1, apresentando-se
Miguel como sendo o vencedor do dragão primordial,
identificado como Satanás.
05. OS SERAFINS
O termo
hebraico é saraph .
Quanto à origem exata e a significação
desse termo, não existe concordância entre os eruditos.
Provavelmente, deriva-se da raiz hebraica saraph ,
cujo
significado é "queimar", o que daria a idéia
de que os Serafins
são anjos rebrilhantes, uma vez que essa
raiz também pode significar
"consumir com fogo", mas também "rebrilhar" e "refletir".
A única menção a esses
seres celestiais nas páginas das Escrituras Sagradas
fica no livro de Isaías (Is 6). Os serafins
aparecem associados
com os Querubins na tarefa de resguardar o trono
divino. Os seres
vistos por Isaías tinham forma humana,
embora possuíssem seis
asas (Is 6:2). Estavam postos acima do trono
de Deus (Is 6:2a), o que parece indicar que
sejam líderes
na adoração ao Senhor. Uma dessas criaturas entoava
um refrão que Isaías registra nas palavras: "Santo,
santo, santo é o Senhor dos Exércitos; a terra
inteira está cheia da Sua glória" (Is 6:3).
Tão vigorosa era esta adoração, que é dito que o
limiar do Templo divino se abalava e o santo lugar
ficava cheio de fumaça.
Pelo que observamos no
texto, parece que para Isaías os Serafins
constituíam uma ordem de seres angélicos responsáveis
por certas funções de vigilância e adoração. No
entanto,
parecem ser criaturas morais distintas, e
não apenas projeções da
imaginação ou personificação
de animais. Suas qualidades morais eram
empregadas exclusivamente no serviço de Deus.
06. OS QUERUBINS
No hebraico, temos keruhbim ,
plural de kerub .
No
grego cheroub .
Palavra de etimologia incerta.
No AT esses
seres são apresentados como simbólicos e celestiais.
No livro de Gênesis, tinham a incumbência de guardar
o caminho para a árvore da vida, no jardim do Éden
(Gn 3:24). Uma função semelhante foi credita aos
dois Querubins dourados, postos em cada
extremidade do propiciatório (a tampa que cobria
a arca
no santíssimo lugar - Êx 25:18-22; Cf Hb 9:5), onde
simbolicamente protegiam
os objetos guardados na arca, e proviam, com suas
asas
estendidas, um pedestal visível para o trono invisível de Yahweh
(veja Sl 80:1 e 99:1, para entender essa figura).
No livro de Ezequiel
(Ez 10), o trono-carruagem de Deus, que continuava
sustentado por Querubins, tornava-se móvel. Também
foram bordados Querubins nas cortinas e véus do
Tabernáculo, bem como estampados nas paredes do
Templo (Êx 26:31; 2Cr 3:7).
Tem sido objeto de críticas acirradas, o
fato de que os povos vizinhos
de Israel possuíam criaturas aladas simbólicas.
Especialmente os heteus
popularizaram os grifos, uma criatura
altamente complicada com corpo de leão, cabeça e
asas de águia
e com a aparência geral semelhante à de uma
esfinge. Por estes motivos, alguns
críticos têm conjeturado que Israel tenha tomado
esse
costume por empréstimo desses povos vizinhos. No entanto,
fica bastante claro que a situação é inversa: os
povos vizinhos é que deturparam a simbologia israelita,
adaptando-a às suas crendices. Exemplo
disto, é a conhecida "Epopéia de Gilgamesh", uma
história babilônica do dilúvio, obviamente tomada
por empréstimo
do relato bíblico.
07. O ANJO GABRIEL
O vocábulo
hebraico Gabriel significa "homem de Deus"
(heb. geber ,
"varão" e El - forma
abreviada de Elohim ,
"Deus").
No AT, Gabriel
aparece apenas em Daniel, e ali como
mensageiro celestial que
surge na forma de um homem (Dn 8:16;
9:21). Suas funções são: revelar o futuro ao interpretar
uma visão (Dn
8:17), e dar entendimento e sabedoria ao próprio Daniel
(Dn 9:22).
No NT, Gabriel surge somente
na narrativa de Lucas que
descreve o nascimento de Cristo. Ali, ele é o mensageiro angelical que
anuncia grandes eventos: o nascimento de João (Lc 1:11-20)
e de Jesus (Lc 1:26-38). Também é apresentado como
aquele que "assiste diante de Deus" (Lc 1:19). Destes
casos, conclui-se que
Gabriel
é o portador das grandes mensagens divinas aos homens.
Pode-se concluir, dizendo que na Bíblia, Gabriel
é o "anjo mensageiro" e Miguel o "anjo guerreiro".
08. O ANJO DO SENHOR
Outro ensino veterotestamentário de
grande importância, que por
sua vez está estritamente relacionado com as Teofanias,
são as aparições do Anjo do Senhor. Optamos por
estudar,
separadamente, este assunto, em virtude de
sua importância crucial, uma vez que as aparições
do Anjo do Senhor se constituem em Teofanias, mas
especificamente Teofanias onde as aparições de Deus se davam
de forma humana.
A expressão
"Anjo do Senhor" ou sua variante "Anjo de Deus",
se encontram mais de cinqüenta vezes no AT. Portanto, é necessário
algumas considerações acerca desse personagem, que se reveste
de grande importância quando tratamos da possibilidade
da Encarnação.
A primeira aparição bíblica
do "Anjo do Senhor", foi no episódio de Agar,
no deserto (Gn 16:7). Outros acontecimentos
incluíram pessoas como Abraão (Gn 22:11,15), Jacó
(Gn
31:11-13), Moisés (Êx 3:2), todos os israelitas
durante o Êxodo (Êx 14:19) e posteriormente em Boquim
(Jz 2:1,4), Balaão (Nm 22:22-36), Gideão (Jz 6:11),
Davi (1Cr 21:16), entre outros.
A Bíblia nos informa que
o Anjo do Senhor realizou várias tarefas
semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, Suas
aparições eram simplesmente para trazer mensagens
do Senhor Deus, como
por exemplo em Gn 22:15-18; 31:11-13. Em
outras aparições,
Ele fora
enviado para suprir necessidades (1Rs 19:5-7) ou para
proteger o povo de Deus de perigos (Êx 14:19; Dn
6:22).
Com relação à identidade
do Anjo do Senhor, os eruditos não são e nunca foram
unânimes. Entretanto, não há porque duvidar da antiquíssima
interpretação cristã de que, nesses casos acima
citados, encontramos manifestações preencarnadas
da Segunda Pessoa
da Trindade.
Desejamos, portanto, apresentar
a seguir três argumentos bíblicos
que comprovam, indubitavelmente, que o Anjo do Senhor
é Jesus Cristo antes de encarnado.
Josué 5:14 - Quando o Anjo
do Senhor apareceu a Josué,
diz a Palavra do Senhor que ele "...se prostrou
sobre o seu rosto na terra, e O adorou, e disse-lhE:
Que diz meu Senhor ao seu servo?". Se o Anjo do
Senhor não fosse o próprio Senhor (ou melhor,
o Senhor Jesus
como Segunda Pessoa da Trindade), o anjo (caso
fosse simplesmente "um anjo") teria proibido a Josué
de adorá-lo, como ocorreu em Ap 19:10 e Ap 22:8,9.
Jz 13:18 - Embora concordemos
com o fato de que existem controvérsias a respeito
desta passagem, reputamos a mesma como
factual e elucidativa. Quando Manoá, pergunta ao
Anjo do Senhor,
o Seu nome,
Ele responde: "...porque perguntas assim pelo meu
nome, visto que é maravilhoso ?"
Uma comparação desta resposta com a passagem de
Is 9:6, demonstra que o Anjo do Senhor que apareceu
a Manoá é o Menino que nos fora dado de Isaías.
Isto é, o Anjo do Senhor, cujo Nome é Maravilhoso
(YHWH), é o próprio Senhor, e ao mesmo
tempo o Menino que nos fora dado.
A
terceira prova escriturística que queremos apresentar,
é que no contexto neotestamentário, a Bíblia deixa
de utilizar-se do termo "o Anjo do Senhor" como
pessoa específica. Isto é demonstrado pelo fato
de que o artigo definido masculino singular "o"
deixa de ser utilizado, sendo substituído pelo artigo
indefinido "um".
Alguns exemplos disto, são os textos de Lc 1:11; At 12:7
e At 12:23, dentre muitos outros. Infelizmente,
nem todas as ocorrências de Anjo do Senhor no NT,
na versão ARC, se encontram
com o artigo indefinido "um", o que ocorre na versão
ARA nos textos citados e em outros correlatos.
Esta substituição possui
um grande significado. Isto é, no contexto
do NT, contemporâneo ou posterior à Encarnação, as manifestações
angelicais não eram do Anjo do Senhor, mas meramente
de um de Seus anjos, pois o Anjo do Senhor já havia
sido manifestado na carne (1Tm 3:16).
09. BIBLIOGRAFIA
A BíBLIA SAGRADA. Edição Revista e Corrigida no Brasil. Rio de Janeiro, Imprensa
Bíblica Brasileira, 1994.
BANCROFT, Dr. Emery H. Teologia Elementar. Trad. João
M. Bentes.3ª ed. SP, Imprensa Batista Regular, 1986.
CHAMPLIN, Russel N. & BENTES, João Marques.
Enciclopédia de Bíblia Teóloga
e Filosofia (6 volumes).São Paulo,
Associação Religiosa Editora e Distribuidora Candeia,
1991.
Compilação e responsabilidade: Rev. Dr. LÁZARO SOARES DE
ASSIS, ThD, PhD, DD
Dezembro de 1996.
Todas as citações bíblicas são da ACF (Almeida
Corrigida Fiel, da SBTB), autêntica herdeira da
Bíblia da Reforma (Almeida 1681/1753) e traduzida
somente da Palavra de Deus infalivelmente preservada
(e finalmente impressa, na Reforma) como o Textus
Receptus. Para começar a ter uma idéia da
gravidade de muitas das MILHARES de deturpações
de todas as "Bíblias" moderninhas, Alexandrinas
(baseadas no Texto dos incessantes Críticos),
em relação às Bíblias do TR, leia, por EXEMPLO,
http://solascriptura-tt.org/Bibliologia-